A alimentação vegetariana tem vindo a ganhar cada vez mais popularidade em Portugal e o movimento conta com 120.000 adeptos no nosso País. No entanto, existe muita desinformação sobre este tipo de alimentação, não só entre os seus seguidores, mas como também entre aqueles que não a praticam. Por essa razão, neste artigo iremos abordar aqueles tópicos que mais polémica geram em termos de nutrição.

  1. A alimentação vegetariana não é saudável
    A Direção-Geral de Saúde afirma que uma alimentação vegetariana ou vegana, sempre que bem planeada e completa em todos os nutrientes, é saudável e nutricionalmente adequada para todas as fases de vida, podendo ajudar na prevenção e tratamento de doenças crónicas (1).
  2. A alimentação vegetariana carece de proteína
    De um modo geral, no mundo ocidental, independentemente do padrão alimentar que as pessoas seguem, o consumo de proteína excede as recomendações (2). Este problema também afeta os vegetarianos (1).
  3. Os vegetarianos são os únicos que necessitam da suplementação de vitamina B12
    Uma vez que a vitamina B12 é produzida pelos microorganismos presentes na água e solo, os animais são a única fonte viável na alimentação e por isso está claro que a população vegetariana tem de ter um maior cuidado com a ingestão de vitamina B12. Numa alimentação estritamente de base vegetal, é necessária a suplementação ou o consumo de produtos fortificados.
    Porém, convém salientar que, segundo o Institute of Medicine, todos nós, independentemente da dieta que seguimos, deveríamos ter um cuidado especial com os níveis de vitamina B12 a partir dos 50 anos de idade. Isto sucede porque, à medida que envelhecemos, dá-se uma redução no ácido gástrico, o que leva à diminuição da absorção desta vitamina (3).
  4. Os vegetarianos têm uma maior prevalência de carência de ferro
    A carência de ferro é a deficiência nutricional mais comum no mundo, no entanto, pelo menos no mundo ocidental, a prevalência não é diferente entre vegetarianos e omnívoros (1).
  5. Não é possível ser um atleta de topo seguindo uma alimentação vegetariana
    Embora a nutrição tenha um papel fundamental no desempenho desportivo, a alimentação é apenas um de vários fatores que determinam o sucesso de um atleta. A alimentação vegetariana em nada impede a otimização do desempenho desportivo (4) e existem bastantes exemplos que comprovam esta realidade: Novak Djokovic, Serena Williams, Venus Williams, Lewis Hamilton, David Haye, Nate Diaz, Jermain Defoe, entre muitos outros atletas profissionais.
  6. A alimentação vegetariana é cara
    A Direção-Geral de Saúde fez uma análise detalhada sobre os custos de uma alimentação vegetariana para crianças em restauração coletiva e concluiu que o custo é semelhante ao de uma alimentação convencional (5).

 

Darchite Kantelal, Nutricionista do G.D. Estoril Praia e Autor do livro “Bem Comer Melhor Jogar”
Nutricionista da Associação Vegetariana Portuguesa (AVP)
Membro da Ordem dos Nutricionistas nº2966N

 

Referências:
1. Gomes SC, João S, Pinho P, Borges C, Santos CT, Santos A, et al. Linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável. 2015.
2. Rizzo NS, Jaceldo-Siegl K, Sabate J, Fraser GE. Nutrient profiles of vegetarian and nonvegetarian dietary patterns. J Acad Nutr. 2013;113(12):1610–9.
3. Saunders, Vince A. Busting the myths about vegetarian and vegan diets. J Home Econ Inst Aust. Home Economics Institute of Australia; 2014;21(1):2.
4. Rogerson D. Vegan diets: practical advice for athletes and exercisers. J Int Soc Sports Nutr [Internet]. 2017;14(1):36.
5. Lobato L, Silva SG da, Cramês M, Santos CT, Graça P. Planeamento de refeições vegetarianas para crianças em restauração coletiva. 2016.

 

6 mitos sobre a alimentação vegetariana