No mundo da nutrição, este é talvez dos temas mais polémicos e que mais dúvidas suscita no consumidor. Se há alguns anos o açúcar era proibido e os adoçantes (ou edulcorantes) os substitutos a recomendar, hoje em dia já se ouve o contrário. Este facto deve-se maioritariamente a uma questão: a ciência da nutrição, como qualquer outra ciência, está em constante evolução. Ao descobrirmos mais acerca de nós mesmos, das reações e consequências dos nutrientes e componentes que consumimos, bem como das suas interações, é natural que as recomendações acerca desses nutrientes e componentes se possam alterar. Aquilo que era um facto há 10 anos, não deixa de o ser, mas pode ter-se transformado noutra recomendação mais exata.

Os adoçantes foram criados no sentido de substituírem o açúcar, acrescentando o sabor “doce” sem respetivas calorias e influência na glicémia. Na altura, parecia ser a solução perfeita, pelo que surgiram vários adoçantes artificiais no mercado, tais como o aspartame, sacarina, maltodextrina e acesulfame K, entre outros. Também existem adoçantes de origem natural, como a frutose e o Stevia.

Artificiais ou naturais, o facto é que sempre houve a necessidade de estudar os adoçantes devido à sua aplicação tão alargada na indústria alimentar. Praticamente desde o início da sua utilização, a FDA (Food and Drug Admnistration, nos Estados Unidos) definiu doses máximas para consumo diário que, desde que respeitadas, tornam o seu consumo seguro – e a quantidade dessas doses é bastante elevada. A FDA declarou ainda alguns adoçantes como não adequados para o consumo, como por exemplo os ciclamatos (que ainda existem em alguns produtos). Existem estudos que encontraram uma relação significativa entre o consumo de adoçantes e o aumento da incidência de Diabetes, Síndrome Metabólica e Obesidade e que podem até interferir na sensibilidade dos recetores do sabor “doce”.

No entanto, a comunidade científica ainda não considera que estes estudos tenham peso suficiente para a proibição da utilização de adoçantes, considerando as vantagens da sua utilização e especialmente quando estes estão integrados numa alimentação equilibrada e saudável. Sucede que nestes estudos muitas vezes são utilizadas quantidades excessivas (pouco comuns) de adoçantes, ou então não foi totalmente controlado o restante padrão alimentar do indivíduo. E claro que por vezes existe a noção de que se pode aumentar o consumo de alguns alimentos, já que se está a cortar no açúcar com a utilização do adoçante.

Serão necessários mais estudos com estas variáveis controladas para se conseguir obter uma nova recomendação sobre este tema.
Assim sendo, quais são os adoçantes actualmente recomendados?

  • Para crianças e grávidas, recomenda-se a evitar a utilização de adoçantes, como fator protetor extra. A utilizar, dar preferência ao Stevia.
  • Como adoçante de mesa, a recomendação atual não proíbe qualquer adoçante natural ou artificial vendido no mercado como tal. Não se esqueça é que deve utilizá-los com moderação e não sentir que tem “permissão” para comer mais ou pior.
  • Para cozinhar, pode usar o acessulfame-K, a sucralose ou o Stevia. Já o aspartame não suporta temperaturas elevadas, perdendo o seu poder adoçante. Deve ter sempre em mente que os adoçantes não possuem o efeito de caramelizar e por isso podem alterar a estrutura ou efeito de uma sobremesa ou confeção. Além disso, deve utilizar as dosagens e equivalências ao açúcar referidas na embalagem.


De um modo geral, os adoçantes continuam a ser recomendados como substitutos do açúcar e pode utilizá-los nesse sentido, mas sempre com a noção de que não deve exagerar no seu consumo nem na sua utilização em receitas.
Moderação é e sempre será a palavra da hora na nutrição.

Catarina Monteiro, Coach da Your Challenge. Formadora e Nutricionista do Nutrihome.
Membro da Ordem dos Nutricionistas nº0759N.

Adoçantes na cozinha – saiba quais usar