Alimentos light: Mitos e verdades

Cada vez mais, encontram-se no mercado alimentos denominados de light. Por vezes, torna-se difícil perceber quais as diferenças concretas entre este tipo de alimentos e os demais. Especialmente quando se constroem determinados mitos acerca deste tema.

Vamos tentar perceber o que são alimentos light e compreender alguns dos principais mitos associados a eles.

O que são alimentos light?

Um alimento light é um alimento cujo teor de um ou mais nutrientes foi reduzido, no mínimo, em 30%, relativamente a um produto semelhante. Neste caso, é necessário mencionar qual o nutriente que sofreu a referida redução. Esta definição é partilhada pelos alimentos com a alegação nutricional de “Teor reduzido de…”1.

Por exemplo, um queijo flamengo light, com teor reduzido de gordura, terá uma redução de pelo menos 30% de gordura total, relativamente a um queijo flamengo normal. Na tabela seguinte, pode verificar-se que o queijo flamengo light tem menos 11,8 gramas de gorduras totais do que o queijo flamengo normal. Isto corresponde a uma redução de aproximadamente 42%.

São alimentos mais saudáveis?

Em determinados casos, um alimento light pode representar um benefício, uma vez que resulta numa redução de um ou mais nutrientes. Estes serão menos saudáveis. Além disso, não há adição de outros ingredientes. O exemplo mencionado anteriormente é reflexo disso. Com a remoção dos lípidos presentes no queijo flamengo, obtém-se um alimento com menor teor de lípidos totais, lípidos saturados e menos denso do ponto de vista calórico. O resultado é um alimento nutricionalmente mais equilibrado.

Contudo, existem produtos que, mesmo após a remoção de parte de nutrientes menos saudáveis, continuam a conter quantidades elevadas desse mesmo nutriente. Neste caso, o produto resultante não é saudável. Existem ainda casos de alimentos light que, para compensar a remoção de nutrientes, lhes são adicionados lípidos ou açúcares em excesso.  O objetivo é obter um produto organoleticamente satisfatório. Torna-se essencial observar o rótulo de forma cautelosa de modo a perceber, caso a caso, que tipo de alteração ocorreu na tabela nutricional e na lista de ingredientes.

Por conterem aditivos, podem ser prejudiciais à saúde?

É verdade que muitos alimentos light possuem, na sua lista de ingredientes, aditivos alimentares. Os aditivos são substâncias químicas, sintéticas ou naturais, adicionadas aos alimentos com o objetivo de os conservar, melhorar o seu sabor, textura e aparência2.

A utilização de aditivos alimentares é regulada pela União Europeia e só é aprovada mediante comprovação da sua inocuidade para a saúde humana. A lista de aditivos permitidos está constantemente a ser atualizada, à luz de novos conhecimentos3. Para além disso, os aditivos estão presentes nos alimentos em doses muito pequenas, também elas reguladas.

Ainda assim, cada vez mais se encontram no mercado produtos com a presença de aditivos na sua composição, o que pode levar a um consumo excessivo de determinados aditivos. E, apesar de se demonstrarem seguros em doses baixas, os seus efeitos a longo prazo, com consumos elevados, ainda não estão totalmente esclarecidos. Neste sentido, estudos recentes correlacionam determinadas doenças, como diabetes, hipertensão e obesidade, ao consumo excessivo de adoçantes e emulsionantes. Contudo, é necessária mais pesquisa em humanos para confirmar estes dados. Deste modo será possível determinar os seus efeitos em consumos de doses mais elevadas a longo prazo4, 5.

É, assim, muito importante ver para além da alegação light nos produtos comercializados como tal. Uma correta leitura de rótulos, não só da tabela nutricional, como também da lista de ingredientes, permite ao consumidor perceber se o alimento light é nutricionalmente equilibrado e saudável. Nem sempre isso pode acontecer. A presença de aditivos alimentares em grande parte destes produtos causa ceticismo nos consumidores. De facto, apesar de parecerem seguros, e se encontrarem nos alimentos em doses muito baixas, é prudente não basear todas as escolhas em alimentos com aditivos. Deste modo, não se corre o risco de exceder as doses máximas de ingestão.

 

Referências bibliográficas:

  1. Regulamento (CE) nº 1924/2006. Jornal Oficial da União Europeia
  2. Food Additives. World Health Organization
  3. Regulamento (CE) n.o 1333/2008 — Aditivos alimentares. Jornal Oficial da União Europeia
  4. Dietary emulsifiers impact the mouse gut microbiota promoting colitis and metabolic syndrome. Nature International Journal Of Science
  5. Nonnutritive sweeteners and cardiometabolic health: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials and prospective cohort studies. Canadian Medical Association Journal

 

Luís Pedro Silva, Nutricionista Jumbo

Membro da Ordem dos Nutricionistas nº 3664N

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