A fava é uma leguminosa tendo, no geral, uma composição nutricional muito semelhante a outros alimentos deste grupo. Além do elevado teor em proteína de origem vegetal, a fava é rica em amido, um tipo de hidrato de carbono complexo, que proporciona ao organismo níveis de energia estáveis por um período de tempo considerável. É também rica em ferro, vitaminas do complexo B, magnésio, potássio, zinco e fósforo.

A fava é também uma das leguminosas mais ricas em fibra, apresentando 5,8g deste nutriente por 100g de fava, sendo apenas ultrapassada pelo feijão branco. Além disso, o seu elevado conteúdo de fibra, à semelhança de outros alimentos com esta característica, faz com que o consumo de fava nas quantidades recomendadas tenha efeito positivo na redução dos níveis das substâncias gordas no sangue (colesterol sanguíneo e triglicéridos), na regulação do apetite e no funcionamento do trânsito intestinal.

As recomendações indicam que se devem incluir leguminosas na alimentação, pelo menos, 3 vezes por semana, na quantidade diária de duas porções. No caso da fava, uma porção corresponde a 3 colheres de sopa de favas frescas em cru ou confecionadas (80g).

Devido às características do grão da fava e ao seu sabor e textura singulares, é frequentemente utilizada em sopas, molhos, cozidos, cremes, purés e, até, saladas. O seu uso mais típico na gastronomia portuguesa é em pratos como “favas guisadas”. Experimente recrear este prato utilizando 2 rodelas finas de chouriço vegetariano (em vez do chouriço tradicional), 1 ovo escalfado, 80g de favas e 100g de legumes a gosto – todas estas quantidades por pessoa. Confecione em cru, e adicione ervas aromáticas a gosto, em alternativa do típico sal. Verá como fica saboroso!

As favas podem ser adquiridas frescas, congeladas ou secas. Devido às suas características, a venda na forma fresca é sazonal. Se optar por adquirir favas frescas em vagem, escolha as vagens mais grossas, sem manchas escuras ou amareladas. Para saber quanto comprar, calcule que um quilo de favas (contando com o peso da vagem) deverá chegar para cerca de 6 pessoas.

Curiosidade: O consumo excessivo de favas cruas ou a inalação do seu pólen pode originar favismo, em pessoas com deficiência de G6PD (glucose-6-fosfato desidrogenase), uma enzima que é crucial para a proteção das células contra o stress oxidativo. Esta deficiência é pouco comum por ser uma doença hereditária recessiva, e, surgindo ligada ao cromossoma X, verifica-se quase exclusivamente em pessoas do sexo masculino. O favismo é um tipo de anemia hemolítica aguda (destruição maciça dos glóbulos vermelhos) que pode ser fatal, dependendo do grau. Este fenómeno é mais comum com o consumo de farinhas ou da própria fava em estado cru, sendo menos comum a associação do aparecimento desta doença ao consumo de favas confecionadas.

Liliana Oliveira, Nutricionista do Movimento 2020. 

Membro da Ordem dos Nutricionistas nº2005N.

Fique atento aos artigos dedicados a várias leguminosas, que iremos publicar ao longo das próximas semanas.

Fava: leguminosa com (muita) fibra