A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Segundo a Alzheimer Europe, estima-se que em Portugal existam mais de 182 000 pessoas com demência, o que representa 1,71% da população portuguesa, valor acima da média europeia que ronda os 1,55%.

As escolhas de tratamento e estilos de vida podem retardar significativamente a progressão desta doença. Os maus hábitos alimentares e a malnutrição associada a dificuldades na ingestão alimentar são fenómenos bastante frequentes. As causas da malnutrição podem incluir falta de apetite, dificuldades em cozinhar, problemas em comunicar ou identificar a presença de fome, coordenação motora deficiente, cansaço e dificuldades em mastigar e engolir.

Por tal, os profissionais de referência na área da nutrição, dietistas e nutricionistas, assumem um papel muito relevante para as pessoas com Alzheimer e seus cuidadores: na avaliação de risco e identificação do estado nutricional inicial das pessoas com Alzheimer, na intervenção em indicadores da sua progressão como a perda de peso e desnutrição, com o decorrer da doença e no estabelecimento de uma intervenção nutricional personalizada às necessidades energéticas e nutricionais e situação clínica da pessoa com Alzheimer, integrando naturalmente os seus hábitos, preferências e dificuldades inerentes à alimentação.

Existem estratégias para melhorar o apetite, controlar a ingestão alimentar excessiva, gerir problemas com a coordenação ou dificuldade em usar talheres, gerir alterações de hábitos e preferências alimentares, gerir dificuldades em engolir, e/ou contornar comportamentos alimentares agressivos, associados a uma fase já avançada de demência. Os finger foods, por exemplo, são uma alternativa adequada e eficaz para ultrapassar problemas com a coordenação ou dificuldade em usar talheres. Podem ser alimentos comuns do dia-a-dia ou alimentos com uma textura mais adequada às necessidades da pessoa; aquilo que os torna finger foods é a sua apresentação – formato em que podem ser facilmente consumidos com os dedos e em poucas dentadas. Podem ser pequenas sandes, legumes ou frutas em camadas ou palitos.

Esta estratégia permite manter alguma independência da pessoa com Alzheimer sem prejudicar as suas preferências alimentares. Para garantir a eficácia desta medida, e de tantas outras, a importância de um cuidador que proporciona a sua correta implementação é enorme,  em todo o processo.

No caso concreto dos finger foods, é importante que o cuidador prepare um prato saudável e atraente ao consumo, que tenha sabores e aromas intensos no caso de haver redução do olfato ou paladar (que por sua vez reduzem o apetite). O cuidador pode também comer com os dedos ao lado do doente, dando o exemplo e permitindo-lhe copiar o processo.

Pessoas com doença de Alzheimer beneficiam muito se tiverem cuidados alimentares e nutricionais personalizados à sua situação.

Vera Fernandes, Nutricionista do Programa de Alimentação Saudável do Jumbo.
Membro da Ordem dos Nutricionistas nº1581N.

Finger Food – uma boa opção alimentar para doentes de Alzheimer