É colaborada do Jumbo há mais de 20 anos no Departamento de Qualidade. A sua longa paixão pelo desporto levou-a a obter certificação da prática e treino de Insanity e Cize. Com pouco mais de 1,50m de altura e 42 Kg, parece um peso pluma mas é, na verdade, um verdadeiro concentrado de energia positiva que inspira todos os que passam pelos seus treinos!
1. A Susana é uma de apenas duas pessoas em Portugal com a certificação Insanity e Cize. Pode explicar um pouco o que são estas modalidades?
O Insanity e o Cize são duas modalidades desportivas certificadas do grupo Beachbody que se dirigem ao praticante de exercício físico em geral.
O Insanity é uma prática de alta intensidade com elevado impacto (muitos saltos), baseada num ritmo acelerado com exercícios de cardiofitness, treino de força muscular, etc. São aulas de 35 a 50 minutos que foram concebidas originalmente para atletas de alta competição, mas que toda a gente pode praticar. O objetivo é a “queima de calorias” e o reforço muscular. Quem opta por esta modalidade pode e deve começar mais devagar e com aulas mais curtas e depois vai evoluindo em função dos seus objetivos pessoais.

O Cize é uma modalidade totalmente diferente: tem uma tendência natural em atrair mais o público feminino porque implica muitos exercícios coreografados em ambiente de “dança”, e aposta essencialmente na “queima de calorias” e na flexibilidade. A própria designação nasce da expressão “the end of exercize” (o fim do exercício). É uma prática muito divertida que ajuda a retirar o peso que transportamos ao longo das nossas rotinas diárias.

2. Disse que esta é uma modalidade indicada para qualquer pessoa. Mas como foi o seu primeiro contacto com a modalidade e de que forma se desenvolveu?
Descobri esta modalidade online numa fase em que estava desmotivada. Fiz um primeiro treino em casa e senti que estava esgotada depois de 3 minutos de exercícios. Tornou-se um objetivo pessoal conseguir fazer uma aula completa! Era um desafio que tinha de ultrapassar. Hoje treino todos os dias às 07h30 no ginásio da Auchan antes de começar a trabalhar, sem contar com o exercício que faço durante as aulas que dou.

3. Como foi dar esse passo? Deixar de ser uma mera praticante para passar a ser treinadora?
Passar para a fase de dar aulas foi muito por incentivo dos meus colegas que me viam a treinar e queriam experimentar. Foram eles que me ajudaram a pagar as despesas para ir tirar o curso e a certificação a Londres de Insanity. Aprendi que mais do que dominar a técnica um treinador tem de “treinar com os olhos”, ou seja, dar formação técnica, estimular e motivar, mas, sobretudo, observar, para assegurar que os exercícios são feitos corretamente. É mais importante conseguir fazer 5 exercícios bem do que 15 mal. Na certificação deste tipo de modalidades o ponto mais importante é também a capacidade de motivar os outros e de criar equipas que se entre-ajudem em vez de competir entre si. O nosso maior concorrente somos nós próprios! Já na certificação de Cize, fui a Nashville, USA novamente com todo o apoio das minhas equipas, mas desta vez para cumprir o sonho de dar aulas coreografadas. Já foi iniciativa própria e o sair da zona de conforto mais uma vez foi o meu desafio.

4.No seu caso, o gosto pela atividade física e pelo desporto vem de sempre. Este gosto é algo que nasce connosco? Ou é uma questão de educação/habituação? Para quem não tem este gosto pelo desporto/atividade física, que estratégias existem para desenvolvê-lo?
Existem muitas razões que podem motivar as pessoas a iniciar a prática desportiva (questões de saúde; problemas de obesidade; desafio de colegas e amigos…). A principal deve ser sempre a procura de equilíbrio sem grandes restrições. Costumo chamar-lhe o nosso PPR (plano poupança reforma): saber conciliar exercício e uma alimentação equilibrada.

5.Com motivação tudo se consegue, mas muitas vezes a dificuldade está precisamente em encontrar formas de nos motivarmos continuamente. Como faz no seu caso?
Nunca estamos totalmente satisfeitos se não conseguirmos ter objetivos e ultrapassá-los. É importante associar esses objetivos a algo de positivo. As minhas aulas são para desanuviar, para explodir, para gritar. Digo muitas vezes “zanguem-se, irritem-se.…, mas nunca desistam! ”. Os primeiros passos são os mais difíceis. Começa por vezes como uma necessidade/uma obrigação que temos de encaixar num dia que já é pesado, mas depois de entrar na rotina passa a ser algo natural.

6.Nunca faz “asneiras” alimentares? Uma barra de chocolate? Um gelado? Ou evita a 100%?
Todos os dias como um cubo de chocolate com mais de 85% de cacau. Quando o apetite me pede mais doces, simplesmente não dou. Fritos é que evito a 100%.Penso que atualmente já é possível fazer uma alimentação equilibrada sem custos adicionais. Há muitas alternativas disponíveis nos hiper e supermercados.

7.Que regras base tem na sua alimentação? 
No que diz respeito à alimentação a minha opinião é que não devemos ser demasiado restritivos, ou seja, não devemos eliminar por completo alguns alimentos, devemos sim evitar e reduzir sobretudo os fritos, os doces, etc. Para mim a regra principal é “a dose faz o veneno”

8.E que alimentos tem sempre na sua despensa e frigorífico?
Nunca faltam a fruta(laranja, kiwi, limão), os legumes (abóbora, cenoura, curgete, cebola), o fiambre de peru e frango, os ovos, e muita água fresca. Não dispenso um bom peixe mas carnes vermelhas só de 15 em 15 dias. Sopa, sempre! Faço sopa para a semana toda e uso uma base simples à qual acrescento depois feijão, agrião, etc. Não uso batata.

9. A Susana tem formação na área de Saúde e desporto. Como caracteriza o conhecimento ou a importância que as pessoas dão às questões da prática de exercício?
Tenho verificado que há cada vez mais pessoas a aderir à prática desportiva. As minhas aulas também têm crescido. Penso que o mais importante é as pessoas conseguirem sair da sua zona de conforto, o que implica algum esforço, mas depois vale a pena.

10. Qual é o melhor conselho que dá aos seus alunos?
Aconselho todos a guardar um bocadinho do seu dia para fazer alguma coisa de que realmente gostam. Ajuda a retirar o peso que carregamos e a ganhar mais optimismo, mais autoestima. O “fitness” também dá lições de vida. Digo por vezes que temos de fazer o “push and play”, temos de tentar ir mais longe, conquistar os nossos próprios limites senão que histórias de vida teremos para contar?

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